“Semeador Urbano” surgiu a partir de um ensaio fotográfico de Cardes sobre plantas que vão brotando no meio do concreto urbano, desafiando o asfalto e o cimento. A poesia presente na obra tem chamado a atenção do público e da crítica do filme.

O diretor afirma que ficou muito feliz com a conquista do troféu Torrinha, na forma do beija-flor de gravata vermelha, um dos símbolos da Chapada da Diamantina, local do festival. “Estava com uma intuição de que algo podia acontecer mas não queria criar muitas expectativas para não ter decepção. Claro que um prêmio é legal, mas é apenas uma parte do processo cinematográfico e um diretor deve se realizar mesmo sem ganhá-los.”, diz Cardes. Na sua visão os festivais são momentos importantes para que os realizadores tenham contato com o público e também com outros diretos. “Aproveitei bem minha ida à Iraquara, principalmente conhecendo diretores de outros estados, dos quais friso o pessoal da produtora Docdoma de Salvador, que tem um esquema muito semelhante ao da minha produtora Avesso Filmes e Camila Dutervil, diretora do documentário “Maria do Paraguaçu”, que retratou uma das lutas dos quilombolas brasileiros.”

As projeções ocorreram na tenda climatizada e ao ar livre no Parque da Dolina, da pequena Iraquara. Dolina é uma depressão no solo causada pelo afundamento do teto de uma gruta, e, bem próximo ao centro, onde a água da chuva adentra misteriosos caminhos subterrâneos, para quem sabe não brotar na Pratinha, estava a grande tela. Segundo Cardes “um dos locais mais bonitos em que assisti uma projeção a céu aberto. Espero que o público do festival, principalmente composto por moradores da cidade e arredores cresça nas próximas edições e que sabe daqui alguns anos não assistiremos um filme produzido por alguém que teve seu primeiro contato com o cinema naqueles dias ou participou de alguma das oficinas do festival?”

 

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