Semana passada vasculhava uma das minhas gavetas. Hábito que conservo desde pequeno. Gavetas, caixas, latinhas e outros compartimentos são verdadeiros portais que me levam a outras dimensões, outras épocas da minha vida, através de poesias, fotos e quinquilharias.
Numa gaveta de memórias literárias e cinematográficas, lotada de envelopes por mim subscritos com alguma palavra-chave que resuma seu conteúdo, encontrei os originais do roteiro do “Jardim de Lírios”. Resolvi escanear alguns trechos e colocar na rede, esse armário maior que o meu, de infinitas gavetas.
Adiciono também o roteiro do curta, que por curiosidade, foi daquela forma diagramado, muito tempo depois que o filme estava pronto. Não usei, talvez por não ter precisado, nos meus filmes autorais, de um roteiro seqüenciado no modelo padrão: externa/dia/parque das mangueiras. Filmei a partir dos manuscritos. Apenas os textos que repassei aos atores digitei, para a leitura fluir melhor. Ademais, o filme já estava passando na minha cabeça, inteirinho.
Publico também as críticas relativas ao meu filme, elaboradas por alunos do cursinho pré-vestibular Horizontes. Numa das minhas aulas de cidadania exibi o “Jardim...” e pedi, para quem quisesse, escrever uma pequena resenha. Elas estavam no envelope com o roteiro original. Gostei das críticas, dissiparam pequeno temor que havia em mim do risco do filme ser criptografado, de difícil acesso por ser, por oras, um tanto subjetivo. Mas os inconscientes se comunicam. Os alunos sacaram as coisas, se identificaram, se rebelaram.

Cardes Amâncio
Da Gaveta para o Mundo