:: Editorial

Terminou 2007 e começamos 2008 com pilhas recarregadas eolicamente.

Pensei em também fazer uma retrospectiva, como fazem todos os canais de tv e os jornais, quando chegamos ao descerrar de um ciclo solar. Os fatos importantes, a política, os acontecimentos, tudo isso merece destaque para que possamos nos lembrar e aprender com o que passou. Mas como nunca tive muita paciência com estes programas, e em certos enquadramentos é primoroso o plano aberto, não nos prendamos aqui nos detalhes. Tomemos este principalmente como um ano de amadurecimento pleno de nossas capacidades, de nossas idéias e possibilidades.

É claro que não cumprimos todas as metas, afinal a ousadia sempre foi um dos princípios norteadores. Enquanto caminhamos aprendemos, e este tomo como o ano de nossa maioridade. Realizamos nosso primeiro curta totalmente ficcional, A Turma do Contagito - O Filme. Trabalho que julgo pioneiro em sua abordagem estética e de concepção.  É claro não ser o  primor autoral com o qual gostaríamos de estrear, mas muito válido por se tratar de um trabalho educativo, voltado para as escolas, levantando temas como memória, patrimônio  e o cinema como ferramenta pedagógica.

Seguimos acreditando na possibilidade de transformar o infinito, não com algo cortante, apenas verbo que pode fazer sangrar. Transmuta ato em ação, atrás de seu amor infiel. Superamos crises, deixamos o velho e nos lançamos ao novo em eterno choque. Foi – se a velha casa Avessal do Santê, saudosa por sua anarquia, foram-se também velhos e velhas que nos deixaram, novos e novas nos saudaram. Momentos de tempestades frias e secas, acalentadas no calor do verão que despontou úmido, levando – a para longe e mantendo-a protegida. 

O bom é saber que ainda estamos no começo e que o caminho ainda é longo e tortuoso. Assim já não há mais tempo para desvios, ou lamentações, muito ainda por aprimorar-se. A articulação é o que gera o movimentos dos meus dedos que teclam o que tiro do meu cérebro. E vejo que falta algo para compor a harmonia. Ritmo e compasso. Nosso sitio na teia do mundo largo é como nossos dedos ao articular letras que se transformam em idéias  e talvez ganhem pernas, virem filme       , ou apenas garanta – nos o movimento essencial.  O Triste é saber que ainda estamos aquém de nosso potencial criativo, refletido em nosso espelho virtual.

Mas sem tempo pra lamentações, já bastam de constatações, partimos então para as atualizações. Nesta edição trazemos finalmente o segundo capítulo da reportagem de nossa agente especial de serviços secretos Aline Cântia: “Vãos da memória Afro – Brasileira –  A Formação do Calunga Pós – Moderno”.

Acompanharemos como se deu a formação do quilombo, a partir da fuga para o desconhecido, o contato com as tribos nativas e a sobrevivência até os dias de hoje.      

O Cardes resolveu abrir o baú da fotografias e nos mostra um pouco de seu olhar sobre Diamantina. Importante também é o relato de  parte de nossa passagem pelo Tocantins – “Cinema na Comunidade da Malhadinha”. O que nos leva direto para a margem do  Grande Tocantins. Bonita também ficou a matéria sobre a Rota do Sal, na Revista Roda, bela publicação do FAN – Festival de Arte do Atlântico Negro que trazemos reproduzida como novidade no link clipping. Pra encerrar ainda aquém do que desejamos, você pode conferir as últimas produções avessais no link portfólio. Fizemos um pacotão de final de ano e viabilizamos para download a última safra 2006/2007: A Turma do Contagito, Regenera, Olhar Calunga -  Redux, Pesquisadores Mirins da Serra do Cipó e o inédito ensaio poético em animação, parte da Vídeo-instalação “Selvas Internas”, de nossa programadora  visual Juliana Buli.

No mais é isso... que venha 2008, esperaremos de peito aberto.  Que Jah esteja e acompanhe a todos neste novo ciclo.


Abraços
André P. Braga
Diretor Avesso Filmes

Confira o editorial de set/007

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