:: Editorial Estes tempos me parecem memóriais, de frio e fome, solidão e saudades. Mas também traz a felicidade de algo nascente...- ainda em 003 quando os primeiros passos avessais atravessaram a soleira da materialização de magia e se transformaram em nosso primeiros trabalhos. Foi por esta data que ocupamos pela primeia vez o saudoso escritório da Raja 4.000, emprestado pela boa mãe do Cardes, uma mistura de produtora com consultório da psique semidesativado e depósito de herba-Life. Para nós bastava, poís poderiamos ligar o computador, por um telefone, e trabalhar em paz na montagem do Candombe. Lembro – me que estava a princípio bem perdido, depois de tanta coisa filmada e precisei guardar um distanciamento de alguns bons meses antes de começar a entender como poderia montar tudo aquilo. O Cardes enquanto isso já preparava o “Dois Duas”, poesia de híbrida imagética que marcam nossa trajetória de primeiros passos. A sala, o telefone, o computador, e a camera, foi o que bastou para surgirem os nosssos clintes. Com uma indigestão do futuro atravessamos nosssos primeiros meses com o saldo de um novo HD para o computador e um inicial portfólio. Em 004 conseguimos terminar a motagem fizemos a primeira exibição mundial do filme “Candombe do Açude: Arte Cultura e Fé”, alí mesmo no terreiro onde ele existe a trezentos anos. Foi como assistir cinema paradiso, só que na vida real. O filme projetado na parede de adobe, é como uma tatuagem na alma. A coisa começou a ficar séria, com as primeiras premiações, mostras e festivais. Incetivado por uma amiga escrevemos um projeto de finalização e distribuição do filme em escolas públicas. Aprovado, começamos a correr na frente de um patrocinador. Não foi o acaso de estarmos com o projeto pronto que em 005, através desta mesma amiga chegamos ao nosso primeiro mecenas, a Orteng Engenharia. Felizes e contentes agradecemos e acreditamos um pouco mais que pode ser possível viver de arte de cultura e de fé. Mas o caminho é longo e a segunda curva do rio foi ainda maior, e só depois de um tempo, entre o Natal e o reveillon de 007, é que surge o patrocinador que faltava, e a Plena Transmissoras vêio à contribuir para concluírmos o Projeto que resolvemos chamar “Candombe nas Escolas”. Uma ação que vejo como pioneira e que visa, seguindo os passos traçados por Humberto Mauro, chegar diretamente a seu público mais cativo como ferramenta didático pedagógica de acordo com a lei 10.639, de inserção do ensino da história da África e das culturas afro-americanas nas escolas. O DVD começa a chegar em escolas públicas e quilombolas, do estado e do país, contendo entre os extras: o orgástico grito libertário do Cardes, “Jadim de Lírios”*, premiado como melhor curta de ficção no festival de Cuiabá 2004, e o estreiante quilombola do Acude Danilo do Santos, com o seu “Sonhos de um Negro”. Agradecemos aos nossos mecenas e amigos que contribuiram, e é claro à Dona Merces, Dona Vilma, Dona Geralda, Seu Valdivino, Flor, Rita, Mateus... e toda a comunidade. Acreditamos e difundimos a idéia de meios alternativos para distribuição de nossos trabalhos. Já que não temos espelho, é preciso preencher as lacunas e os espaços de omissão, e quebrar os que nos oferecem. É onde está “Quando Canta a Liberdade”, a mais nova produção avessal que também atravessa a soleira da materialização e estréia dentro em breve com data ainda a ser definida. É resultado da primeira oficina audiovisual do Programa de Reintegração dos Egressos do Sistema Prisional. Um documentário sobre a liberdade, sobre a vida, sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas que lutam por reingressar no sistema social, económico, e familiar após terem sido condenados pela justiça dos homens à privação de seus direitos, entre eles o de ir e vir. Um debate sincero, amplo e aberto, que não visa conclusões fáceis, mas que apresenta os problemas em seus mais amplos aspectos e pontos de vista, tendo como ponto de partida um olhar: o do egresso. Dirigido, produzido e montado por Sando e Igor, sobre orientação minha e do Cardes a expectativa para a estreia é grande. *Outra passagem digna de mensão em nossa recente história é a censura impetrada pela tv Comunitária de Belo Horizonte à Avessinho. Recentemente fomos convidados a participar do programa de entrevistas do interessante jornalista “Peninha”. A idéia era falar um pouco de nossa trajetória até alí, nossas propostas estéticas, passar alguns trechos de nossas produções de primeiros anos, e conversar sobre nossos projetos futuros. Por motivo de força maior não pude comparecer na data marcada, mas quando conversei com o Cardes, me disse que o programa tinha sido bom e que eles iriam editar com trechos de nossas imagens. Qual não foi minha surpresa quando fui saber que por ordem do Ivan, velho companheiro da Puc Minas, que o programa não poderia entrar no ar exibindo trechos do “Jardim de Lírios”, que supostamente ofendem a igreja católica e as grandes cooporações jornalistícas mídiaticas que hoje juntam força na nova inquisição. Mas é claro depois me lembrei que grande parte da grade de programação desta tevê comunitária é preenchida por programas religiosos de caráter duvidoso. Ainda argumentamos que poderiam ser selecionado outros trechos do filme, já que sabemos dos interesses econômicos pseudo sociais de tais coorporações. e não viemos aqui pra sabotar ninguém.Deichamos aqui nossa nota de indignação que não poderiamos nos furtar de registrar, mesmo não querendo angariar novos inimigos. No mais seguindo em frente trazendo mais um editorial. À espera do bom vento, inspeciono minha vela. P.S: a Aline Cantia ressurgiu dos Pampas e nos mandou lembraças: "Prefiro uma diarréia poética A viver numa prisão de palavras." Gastrite Verbal confira mais notícias de nossa poeta andarilha no ETCeteras AVESSAIS Abraçøs André Portugal Braga Diretor Avesso Filmes Confira o editorial fev/008 Confira o editorial de jan/008 Confira o editorial de set/007 |